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Tarifaço de Trump repercute no Congresso; parlamentares pedem reação planejada e nova estratégia comercial

Anúncio de tarifa mínima de 10% para produtos brasileiros gera críticas e movimenta o Legislativo; Senado já aprovou projeto que autoriza retaliações. O a...

Tarifaço de Trump repercute no Congresso; parlamentares pedem reação planejada e nova estratégia comercial
Tarifaço de Trump repercute no Congresso; parlamentares pedem reação planejada e nova estratégia comercial (Foto: Reprodução)

Anúncio de tarifa mínima de 10% para produtos brasileiros gera críticas e movimenta o Legislativo; Senado já aprovou projeto que autoriza retaliações. O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que passará a cobrar tarifa mínima de 10% sobre todos os produtos importados do Brasil repercutiu no Congresso Nacional nesta quarta-feira (2). Parlamentares criticaram a medida, alertaram para impactos ao setor produtivo e defenderam reação coordenada do governo brasileiro. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que a decisão representa um retrocesso nas relações comerciais internacionais. “Notícias dão conta de um andar para trás na multilateralidade, na medida em que se começa a colocar barreiras comerciais, o que está gerando uma instabilidade no comércio exterior de todas as nações”, afirmou o senador. Já o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores, propôs uma missão parlamentar aos Estados Unidos e pediu revisão da política comercial brasileira. “Não podemos aceitar que o produtor brasileiro seja sempre o elo mais frágil dessa cadeia de conflito global. Vejo com bons olhos buscar outros mercados para que o nosso produtor não seja penalizado”, disse. “É o momento de uma reação planejada, inteligente e não de ações intempestivas”, completou Trad, que também defendeu o envolvimento do Congresso na formulação de estratégias comerciais do país. A reação do Congresso ao “tarifaço” de Donald Trump também gerou manifestações mais enfáticas no plenário da Câmara. O deputado Tadeu Veneri (PT-PR) afirmou que o Brasil não pode se curvar a interesses estrangeiros e criticou duramente a extrema direita. “Não há que se ter nenhuma condescendência, nem com golpista, nem com quem quer fazer desta Casa um puxadinho do Donald Trump. Nós não vamos permitir isso. Vamos votar como votamos ontem e derrotar a extrema direita”, declarou. A deputada Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ) seguiu na mesma linha e disse que as novas tarifas representam um ataque direto ao Brasil. “O Brasil está sob ataque dos Estados Unidos, sob o Governo Trump, e a responsabilidade desta Casa é muito grande”, afirmou, ao defender a rápida reação institucional do país para proteger os interesses nacionais. Já o deputado Afonso Motta (PDT-RS) destacou que a medida se insere em uma conjuntura internacional mais ampla, e que o Brasil precisa agir para preservar sua economia. “Esta matéria é de extrema relevância. Insere-se num contexto global, em que todas as nações estão preocupadas com a nova conjuntura criada por iniciativas que começam com o Presidente Trump. É fundamental que o nosso país tenha essa proteção”, afirmou. 'Tarifaço' de Donald Trump entra em vigor nesta quarta-feira, 01 Tarifa mínima e sobretaxa a aço e alumínio Em discurso, Trump classificou a medida como uma “declaração de independência econômica” e disse que a tarifa mínima será de 10% para todos os países, podendo variar de acordo com as barreiras que esses países impõem aos produtos americanos. Para o Brasil, a nova alíquota será de 10% sobre todos os produtos, além das taxas já vigentes sobre aço e alumínio, que continuam em 25%. O novo pacote de tarifas entra em vigor nesta quinta-feira (3). Congresso reage com projeto de retaliação Na véspera do anúncio, o Senado Federal aprovou, em regime de urgência, um projeto que cria a chamada Lei da Reciprocidade. A proposta permite ao governo brasileiro retaliar países que imponham barreiras comerciais aos seus produtos, inclusive por meio da suspensão de concessões comerciais e de direitos de propriedade intelectual. O texto teve apoio amplo no Congresso e no governo federal e é uma resposta direta às declarações de Trump, que citou explicitamente o Brasil como exemplo de país que será alvo de novas tarifas.